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Hub Conexa conta trajetória e traz dicas para empresas tradicionais começarem a inovar

Numa área de 600 metros quadrados em Goiânia (GO), uma das principais e mais tradicionais empresas do agronegócio, cultivou um local em que o solo e o campo dão lugar às inovações para que a produtividade e a rentabilidade continuem em foco – mas a partir de um novo olhar. 

É o Hub Conexa. Espaço criado para desenvolver ideias, incubar e acelerar projetos.

Referência quando o assunto é software para gestão do agronegócio, em 2016 a Siagri identificou que era hora de buscar algo novo. De olho nos movimentos do mercado e atendendo a pedidos cada vez mais frequentes dos clientes, decidiram reorganizar a diretoria.

“Nós ‘quebramos’ a diretoria de desenvolvimento e criamos a diretoria de novos produtos. Assim, a equipe ficou dividida em duas diretorias”, explica Leandro Xavier, ex-Siagri e CEO do MyFarm (empresa incubada), presente no hub desde o início.

O passo representava o início de um novo status da empresa. “Começamos a desenvolver muitos produtos ligados aos ERPs atuais e deu muito certo. Criamos muitos produtos e negócios, foi uma época de muito aprendizado”.

A inovação fechada já tinha provado seu valor e, dois anos depois, a empresa decidiu dar um novo – e grandioso – passo: criar uma estrutura física para começar a fazer inovação aberta em parceria com universidades, empreendedores e investidores.

Incubação, aceleração, mentoria, especialistas e tudo que tem direito

Além de possibilitar transformar ideias em produtos, a plataforma tecnológica oferece todas as etapas de incubação, aceleração e mentoria para as startups.

“Nós temos uma estrutura de desenvolvimento com desenvolvedor front-end e back-end, analista de UX, analista de negócios, especialista em UX e UI, e conseguimos oferecer todo o suporte de desenvolvimento e a manutenção desses novos produtos”.

Com uma equipe de aproximadamente 30 profissionais, o hub de 600 metros quadrados e já conta com várias startups que utilizam esses serviços e outros específicos como gerente de projeto e designers, pagando somente pelas horas que utilizam.

O método possibilita que o desenvolvimento dos novos produtos seja mais fácil e com custo reduzido, já que cada startup não precisa ter uma equipe completa para colocar as ideias em prática.

Não é somente criar uma startup, mas tornar as ideias um modelo de negócio.

Tem dado tão certo que a equipe está criando uma metodologia para que investidores possam investir nas startups que estão locadas no Hub Conexa.

“Queremos aproveitar a visibilidade da marca, pois chegam muitas ideias e pessoas querendo fazer projetos lá. Queremos criar uma cadeia de investimento, em que os investidores contam com o filtro da Siagri na hora de virar sócio de uma startup”.

As soluções que o Hub Conexa tem desenvolvido para o agronegócio

Além das startups que utilizam todos os profissionais e serviços do hub, cinco startups criadas ou ligadas diretamente a Siagri passam pelo processo de incubação.

Todos, é claro, no setor do agro.

O MyFarm e Receituário Agronômico nós contamos com mais detalhes aqui.

O objetivo do MyFarm é ajudar os agricultores no gerenciamento da produção. Já o Receituário Agronômico é destinado ao uso dos agrônomos, que contam agora com a possibilidade de fazer a emissão digital dos receituários dos defensivos.

A Nou Inteligência Fiscal é solução para notas fiscais eletrônicas, que além de possibilitar o download e arquivamento dos arquivos, iniciou o desenvolvimento de inteligência fiscal, que verifica se as notas estão lançadas corretamente nos ERPs.

Ainda sem nome, a startup de assinatura digital inclui serviços como o do Receituário Agronômico, de pedido de venda e, apesar de priorizar o setor agro, deve passar a atender todos os tipos de certificados e assinaturas digitais.

Já com capacidade mais robusta, a Implanta não nasceu no Hub Conexa, pois foi fundada em 2012, mas aproveita todo o know-how da Siagri para aprimorar o serviço de ligar a distribuição à indústria, lendo dados e entregando informações relevantes para tomada de decisão relacionadas ao estoque, giro de produto, quando vai faltar, qual o mais vendido, a fim de facilitar a logística.

Spin-off educacional

Fora do Hub Conexa, a Plantar Educação já tem vida própria.

A spin-off começou como um treinamento EAD (Educação a Distância) para os clientes que utilizavam os produtos da Siagri.

O modelo deu certo e começou a ser utilizado para treinar os próprios colaboradores e fazer integração de RH. Não demorou muito para se tornar uma universidade corporativa para clientes.

3 dicas para empresas tradicionais que não sabem como começar a inovar

“Operação não faz inovação”.

Leandro é categórico ao afirmar que para uma empresa tradicional partir para um modelo de inovação é preciso buscar especialistas e mobilizar uma equipe para pensar 24h por dia em inovar.

Mas calma!

Isso não quer dizer que a equipe que está na operação, no front, fazendo tarefas rotineiras não irá participar do processo. Muito pelo contrário.

#leiaTambemComo uma empresa com 20 anos de mercado está implementando a cultura da inovação

“Eu era um dos principais gestores e gerentes da empresa e fui tirado da operação para tocar um novo produto. Esse movimento de tirar alguém de um processo exige coragem, mas é um ponto muito importante dar oportunidade aos colaboradores com veia empreendedora”, relembra.

Leandro saiu da operação da Siagri, onde estava desde 2012, para ser responsável pelo setor de produtos da Conexa. No hub, foi convidado para ser CEO do MyFarm, onde está no momento.

Com toda essa bagagem, dezenas de empresas tradicionais têm procurado a Conexa em busca de orientação para fazer inovação corporativa. E nós separamos três dicas do Leandro que podem facilitar esse processo:

Se empresas tradicionais não inovarem, elas vão ficar pra trás

“As empresas tradicionais precisam, primeiramente, entender que elas são tradicionais. Em algum momento, vai vir um menino de 18, 20 anos e vai desenvolver algo para o mercado que ela atende. Então, ela precisa pensar em inovação”.

Não adianta querer inovar sem conhecimento

“Busque informação. Não adianta querer inovação sem conhecimento. Existem muitos profissionais e especialistas no mercado para auxiliar nesse sentido”.

Inovação não é um tiro certeiro

“Provavelmente você vai rasgar dinheiro no início, mesmo que dê certo. A inovação precisa ser tratada como investimento e não como geração de lucro, pois ela vai gerar lucro mais pra frente, e às vezes, a ideia pode ser boa, mas o mercado não compra”.

Dica bônus aos empreendedores novatos

“Se você tem uma ideia boa, leve para um local que consiga desenvolver a ideia, captar investimento e que tenha know-how. Mas saiba que não é tudo flores. Se você tem convicção que aquilo é bom e escalável, se você trabalhar com afinco vai dar certo, mas vai trabalhar muito mais do que a jornada comum de um funcionário”, finaliza.

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