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Internacionalização de startups: dicas e mitos sobre ser global com Leo Uchôa

Pensar global desde o primeiro dia de existência deve ser a primeira ação de toda startup que cogita atuar em outro país.

Esse é principal conselho de Leo Uchôa, que empreende há mais de 20 anos e acaba de lançar um curso gratuito sobre internacionalização de startups pelo Sebrae.

Mais informações sobre o curso no fim do post 😚

Além de fundador e CEO da Getmundi, plataforma global de pagamentos para eventos e indústria de viagens, ele também é cofundador da uGlobally, uma solução de intercâmbio de startups baseada na Holanda com programas de negócios em mais de 60 ecossistemas ao redor do mundo.

Leo ainda arranja tempo para ser facilitador global no Startup Weekend, bolsista do Startup Leadership Program (edição de Pequim) e mentor em vários outros programas.

Então além de conhecimento sobre negócios internacionais, ele participa ativamente desse movimento, por isso possui forte entendimento e conexão contínua com a emocionante arena internacional de startups.

Durante sua jornada pelo mundo, ele trabalhou e morou por mais de dois anos na China, atualmente reside no Brasil, mas vive em ponte aérea entre Brasil, Estados Unidos, Europa – principalmente Portugal, base da sua startup – e Ásia, conectando e vendo, em primeira mão, as experiências de uma série de startups em todo o mundo.

Para ele, ensinar sobre os processos de internacionalização é super importante, mas mudar o mindset do empreendedor brasileiro é o maior desafio de todos.

Confira os insights de Leo Uchôa sobre o tema.

O que é internacionalização?

Segundo Leo, internacionalização é uma estratégia que envolve o ato de comercializar um determinado produto ou serviço para fora do seu mercado nacional, desenvolvendo uma rede internacional e aumentando a capacidade de crescimento e conhecimento sobre seu mercado em diferentes cenários.

Sendo assim, compreender que o processo de internacionalização faz parte do ciclo de aprendizado sobre o seu produto é de importância vital para a valorização da prática e sua devida implementação.

Mas em se tratando de Brasil, essa não é uma tarefa fácil. Isso porque, segundo Leo, pensar global, no Brasil, virou quase uma exclusividade das grandes empresas, com raras exceções.

As startups brasileiras, na maioria, acreditam que precisam primeiro fazer sucesso na cidades onde estão localizadas, depois nos estados e por fim no país.

Somente após ter “conquistado” o Brasil devem pensar em internacionalizar sua empresa.

Esse mito é o mais complexo de todos para Leo, justamente porque ter presença nacional num país complexo como o Brasil não é tarefa simples, muito menos para uma startup com baixíssimos recursos disponíveis.

Nessa árdua jornada muitos empreendedores brasileiros acabam desistindo da inovação porque percebem que o mercado nacional não absorve seus negócios, mas nem sequer cogitam a possibilidade de entender como seria o resultado em diferentes países.

Outros tantos, quando vão mapear possíveis concorrentes, levam em consideração apenas o mercado nacional, deixando de lado todo contexto internacional e competitividade global.

Um das razões que incentivam esse mindset é que nossos ‘especialistas’ em internacionalização da inovação usam conceitos e regras da década de 90 onde ganhar o mundo era realmente um desafio para poucos.

Por isso, a maioria das startups compram a ideia de que experimentar novos mercado é algo complexo, difícil e caro ou simplesmente apostam todas as fichas em apenas uma região do mundo  –  o Vale do Silício, sem entender o que implica ser um uma startup brasileira com poucos recursos e experiência internacional em uma das regiões mais competitivas do planeta.

Claro que existem desafios, principalmente se focar em mercados como Estados Unidos e Inglaterra.

Mas Leo frisa que infelizmente nosso país é um dos piores locais do mundo para empreender, ou seja, para uma startup chegar a ter tração no Brasil é muito mais desafiador do que em inúmeros outros ecossistemas ao redor do mundo, por isso a importância de já nascer global.

Quando, como e onde uma startup deve buscar a internacionalização?

Na visão de Leo Uchôa, internacionalizar não é uma opção, mas sim uma necessidade e a cada dia se torna mais simples lançar produtos em outros países, principalmente os de base tecnológico como aplicativos e plataformas web.

Tudo começa a partir da ideia.

Ele recomenda pensar em um nome internacional e domínio pontocom (.com) ajudam e muito essa empresa a mais facilmente ter uma presença real fora do país.

Cada caso é um caso, não existe um passo a passo, o que existe são locais mais fáceis para se abrir uma empresa fora do país, um deles, que deveria ser a opção número 1 dos brasileiros, é Portugal.

De acordo com Leo, o processo de pensar uma solução num contexto global desde o início muda radicalmente a maneira de posicionar o produto, inclusive no próprio país, e tende a gerar uma proposta de valor mais profunda, consequentemente aumentando as chances de sucesso da sua startup, principalmente no âmbito de investimento.

Atualmente, para ele, Portugal é um dos lugares que oferece mais vantagens para o perfil empreendedor brasileiro, com pouca experiência internacional e dificuldade de língua.

Mas não só por isso, o país se reinventou para ser um grande hub na Europa.

Hoje empreendedores do mundo inteiro já estão migrando para Portugal, não só pelo baixo custo de vida e segurança, mas por diversas facilidades que o país oferece para as startups.

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Além de Portugal, Leo indica a Estônia, principalmente para quem deseja ter uma empresa na Europa sem precisar colocar o pé no país, e locais como Holanda, Alemanha e Inglaterra.

É necessário ter em mente alguns pontos, como disponibilidade financeira para ficar no país, domínio da língua, principalmente.

Temos em mente que operações internacionais são caras, mas na prática quem faz as contas percebe que caro mesmo é o Brasil.

Ele reforça que também não é necessário residir em outro país para internacionalizar uma empresa, a Getmundi, por exemplo, tem sede em Portugal e no Canadá, com equipes nos dois países, mas Leo mora no Brasil.

Mas a internacionalização da Getmundi, que ainda é uma startup pequena, aconteceu por acaso.

Leo aproveitou uma viagem que estava fazendo em Portugal e abriu a empresa lá em função de diversas facilidades que encontrou, desde o processo de abertura até a manutenção da empresa.

O sócio dele foi contra fazer esse investimento porque na época sequer tinham clientes fora do Brasil, então nem fazia tanto sentido ter uma empresa fora.

Coincidentemente menos de dois meses depois da empresa aberta apareceu um cliente solicitando uma operação que só seria possível por meio de uma empresa na Europa.

Se não tivesse me adiantando, teríamos perdido esse cliente que gerou uma operação de meio milhão de euros e transformou a Getmundi no que ela é hoje. Por isso, sempre aconselho, na dúvida abra a empresa, com certeza vai aparecer uma oportunidade que irá fazer uma grande diferença na sua startup.

Leo Uchôa

Os TOP 5 mitos da internacionalização de startups

Nesses anos trabalhando com o Mindset Global, que é o programa de imersão no tema, Leo Uchôa destaca alguns mitos que mais se repetem no processo de internacionalização de startups.

1 – Preciso de ter muitos recursos para internacionalizar minha empresa

De acordo com Leo, existem diversas possibilidades de ter uma presença internacional com baixo custo.

A maioria dos empreendedores quer começar a operar nos Estados Unidos, o que realmente deixa o projeto muito caro.

Busque opções como México, Panamá, Colômbia, Portugal, entre outros.

Pesquise locais onde o custo de vida x despesas para manter uma empresa podem se equiparar ou ser mais baratos que no Brasil.

#DicaExtra: Fuja dos destinos óbvios.

2 – Apenas grandes empresas internacionalizam

A quantidade de grandes empresas brasileiras atuando fora do país é considerável. Cases como Havaianas, Ambev, entre outros, confirmam essa afirmação.

O grande problema é acreditar que só grandes companhias podem fazer isso.

Na prática, qualquer empresa de qualquer tamanho, hoje, tem condições de atuar no mercado global.

#DicaExtra: Busque ferramentas online que facilitam esse processo e ajudam a promover seu negócio em diversos países.

3 – Eu me viro no portunhol

No mundo há mais de 240 milhões de falantes da língua portuguesa e 9 países, além do Brasil, falam o idioma oficialmente.

Mas muito cuidado!

Nessa lista entra Macau, no Sul da China, onde Leo, inclusive, já estive algumas vezes e apesar dos nomes das ruas e placas oficiais estarem em nossa língua, ele não conseguiu encontrar um único falante de português.

Na prática, poucas pessoas vão entender português no comércio global. Os falantes de língua espanhola NÃO vão entender nosso portunhol e não é por má vontade. Pare de se enganar e esforce-se para aprender uma segunda língua.

#DicaExtra: Comece pelo espanhol, não só porque existem oportunidades em nosso continente, mas uma vez que a mente destrava para uma língua, se torna mais fácil aprender outras.

4 – Preciso ficar grande no meu país para depois internacionalizar

Para Leo, o Brasil é um país continental e com inúmeros entraves e desafios para qualquer negócio.

Começar pequeno no Brasil e conseguir atingir o país inteiro é uma tarefa hercúlea, que depende de fatores que vão além do próprio mercado. Na realidade, o melhor caminho é justamente o contrário: ao fazer sucesso lá fora, se torna muito mais fácil conquistar o Brasil.

Se a startup tiver em mente que países como Panamá, Singapura, Hong Kong e outros oferecem vantagens inimagináveis para a expansão comercial, vai entender como esse mito atrasa os primeiros passos de internacionalização do negócio.

5 – O Vale do Silício é o melhor hub de internacionalização para startups

O Vale do Silício seguramente é um dos ecossistemas mais inovadores do mundo, mas será que realmente vale a pena levar sua startup pra lá?

De acordo com Leo, a estratégia de sair do Brasil sem praticamente nenhuma experiência internacional e aportar na região mais competitiva do planeta não é nada inteligente.

Na opinião dele, definitivamente o Vale do Silício NÃO deveria estar na mira das startups brasileiras, principalmente para aquelas na fase da ideia ou ainda modelando o negócio, ou seja, iniciando a operação.

O Vale ou melhor, o mercado americano, deveria ser o objetivo final e não o primeiro de uma startup.

Entre os motivos, Leo destaca o custo de vida alto, competitividade bizarra, dificuldade com a língua, o público-alvo não ser o americano, complexidade jurídica, visto americano e alta demanda por programadores.

Para quem quiser aprender mais sobre o tema, aproveita que o Leo Uchôa acaba de lançar um curso gratuito sobre internacionalização de startups.

Inscreva-se aqui!

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