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Joinder.me: insatisfeita com apps de relacionamentos, designer cria aplicativo para causar menos frustração

No entanto, para desenvolver a ideia e criar app, a designer enfrentou uma sequência de tombos, desafios e foi parar na justiça para, enfim, encontrar match perfeito na hora de empreender.

Vamos ser sinceros aqui: quantas vezes você já fez o download de um aplicativo de relacionamento e dias depois desistiu da ideia e desinstalou por frustração?

Somente no Brasil, 124 milhões de pessoas estão conectadas a apps de relacionamento.

Uma pesquisa realizada pelo eHarmony aponta que até 2040  70% dos casais de todo o mundo vão ter se conhecido através de sites de relacionamento.

Se essa informação te espanta, seja porque você não conseguiu se identificar com a dinâmica de nenhum dos aplicativos disponíveis ou porque você não concorda com a fórmula atual dos “matches”, saiba que já tem gente pensando em você.

E não estamos falando amorosamente.

Incomodada com o formato dos apps, a designer Carla Martinez Ribeiro iniciou em 2015 uma ampla pesquisa a fim de desenvolver um app de relacionamento para abraçar todas as pessoas que, assim como ela, sentiam que não se encaixavam.

No caminho, além de coletar informações suficientes para dar vida a uma boa ideia e criar o Joinder.me, a designer se deparou com lições de empreendedorismo que ela faz questão de compartilhar.

À moda antiga: quando tudo começou

“Logo que a internet surgiu, a gente se relacionava com o que as pessoas contavam sobre elas, então acabávamos nos apaixonando pelas histórias e pelo que você ia conhecendo dela. Eram poucos os que tinham foto, e quando a gente ia conhecer as pessoas ao vivo, já tinha criado uma afeição sem nem ter visto o rosto”.

Para Carla, o que veio nos anos seguintes, baseando a análise de perfis primeiramente por fotos se tornou uma ferramenta que age contra as pessoas, deixando elas para baixo e causando frustração.

Isso já virou até motivo de estudo da American Psychological Association: pessoas que usam aplicativos e sites de relacionamentos tendem a ter mais baixa autoestima do que as que não fazem parte destas comunidades.

Mas então, o que fazer para tornar o Joinder.me diferente dos outros e confortável para as pessoas?

“Baixei mais de 50 apps para ver as funcionalidade. Fiz pesquisa quantitativa e qualitativa e, por fim, quando ainda não tinha app, junto com um professor de marketing, formamos dois casais e coletamos as datas de nascimento, hora e local para levarmos para uma astróloga”.

Há cinco anos, em 2015, o tema astrologia ainda não era tão popular, mas já era o assunto com mais views no site de notícias que Carla trabalhava.

“Nós sabíamos qual era o casal com maior compatibilidade, mas precisávamos levar para alguém solucionar esses problemas acerca da superficialidade, para achar uma maneira de identificar as pessoas que tinham mais tendência de se dar bem. Foi aí que a astróloga explicou que o que tentávamos fazer era sinastria”.

Sinastria é o estudo de um relacionamento, seja ele amoroso, profissional ou comercial, por meio da astrologia. Através da comparação do mapa astral, é realizado a análise dos pontos negativos e positivos deste relacionamento.

Assim, foi construída a ideia.

Além de alimentar o algoritmo do aplicativo com as informações fornecidas por uma astróloga, o Joinder.me vai contar com uma conselheira amorosa, a Jih, um chatbot que dá dicas sobre como lidar com a pessoa daquele signo.

Ideia criada, app em desenvolvimento e uma sequência de insucessos

“Em 2015, desenvolvemos a ideia com uma equipe de programadores terceirizados. Lançamos o app e tivemos 10 mil usuários em uma hora. Deu um bug geral, parou tudo e não tinha como usar”.

Conforme Carla, o problema foi tão grande, que a única escolha possível foi abandonar todo o investimento inicial e começar a desenvolver o aplicativo de novo – e do zero.

“Em 2016 encontrei três novos sócios que tinham uma empresa de desenvolvimento, mas eles tentaram roubar minha ideia e fomos parar na Justiça”.

Parece roteiro de filme ou a história da rede social mais utilizada no mundo.

Após uma sequência de quedas, Carla precisou colocar a ideia na gaveta, enquanto brigava na justiça, arrecadava grana e…tomava fôlego novamente, ao lado de novos sócios.

“O principal que eu aprendi de tudo isso, é que ninguém faz nada sozinho. As relações humanas, mesmo profissionais, precisam ser muito verdadeiras e de confiança. Se você sente que com aquela pessoa não vai dar certo, é melhor desfazer a sociedade do que se prejudicar”, relata.

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Finalmente, quando o Joinder.me será lançado?

Dentro dos próximos seis meses.

Com nova identidade, novos personagens e novas funcionalidades, sendo que o último tópico foi pensado justamente para gerar menos frustrações ao usuário.

A questão da astrologia será uma ferramenta, um diferencial. Mas a ideia não é vender somente isso. Estamos embasando funcionalidades com psicólogas, com dicas que geram autoconhecimento para os usuários.

Além da versão free, o app vai ter também uma versão premium que vai somar ao chatbot aprendizado de máquina, personalizando informações e a usabilidade de maneira que gera valor para quem tá pagando.

“Existe app para todos os públicos. Se a pessoa não quiser usar as dicas de astrologia ou ignorar a compatibilidade é claro que ela pode, mas estamos desenvolvendo funcionalidades para que as pessoas se frustrem menos, pois a necessidade de encontrar o outro ainda não foi sanada”, finaliza.

Mulher utilizando aplicativo de relacionamento
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